Para quem não é chegado na folia do Momo, uma velejadinha até Ilha Bela cai muito bem…
Hoje vi o anuncio da venda de um apartamento no Guarujá, o anuncio dizia que o imóvel fica a 6 quadras da praia, 3 quartos, sendo uma suíte e uma vaga na garagem.
Nestas condições o imóvel estava anunciado a R$ 450 mil, com algumas facilidades de financiamento, inclusive com linha direta com a Caixa.
Fiquei pensando com meus botões se um dos fatores que impedem o mercado náutico brasileiro de decolar não é a tal linha de financiamento, com juros razoáveis, inclusive para embarcações usadas, como é o caso dos imóveis.
Na linha da comparação o Mythos, Fast 395, é avaliado na faixa dos R$ 350 mil, considerando que valor da marina empate com o valor do condomínio + IPTU, eu não hesitaria em comprar o veleiro em vez do apartamento.
Alguém pode argumentar que no apartamento são quase 100 m² contra menos de 46 m² no Mythos, neste caso meu pensamento é o seguinte: A casa é pequena, mas o quintal…..
Se você não é um marinheiro experiente e seu amigo o convidou para passar o final de semana em seu veleiro, não custa dar uma lida nestas dicas.
Tenha em mente que por maior que seja o barco, toda bagagem levada a bordo atrapalha, logo, quanto menor sua mala, melhor.
Convença sua companheira, se for levá-la, que barco não é casa. Secador de cabelos, por exemplo, é um item desnecessário e de pouca serventia.
Primeiro pergunte ao dono do barco o que você deve levar, ele poderá orientá-lo nos itens:
- Roupa de cama e banho
- Roupas de uso diário
- Calçados
- Mantimentos e bebidas
Se for a primeira vez que dormirá a bordo tenha em mente:
- O espaço a bordo é reduzido, você não terá o conforto da sua cama king size.
- O banheiro de bordo é um ambiente crítico pela manhã, procure ser rápido em seu pit stop.
- Ajude no que puder, não espere o comandante ordenar para lavar a louça, arrumar a cama, etc.
O ideal é fazer um day sailing antes de partir para um final de semana a bordo.
Para ligar o micro ondas, tv, carregar a bateria do note, celular, etc é necessário ter a bordo corrente alternada em 110 ou 220 V.
Temos duas situações distintas, onde a corrente alternada (AC) a bordo será obtida de maneiras diferentes:
- Atracado ao pier da marina
- Ancorado em uma baía
Atracado ao pier da marina a corrente alternada entra no barco através do shorepower, que é um cabo elétrico que liga a tomada do pier à tomada do barco. Nesta situação a instalação elétrica do barco deve ter um disjuntor AC adequado para a tensão de entrada (110V ou 220V) e uma chave seletora para que as tomadas do barco sejam energizadas com AC.
Ligando-se o shorepower automáticamente temos AC no barco, a novela está garantida e o carregador de baterias do barco estará funcionando.
Mais complicado um pouco é ter AC quando ancorado em uma baía, teremos duas opções:
- Gerador a bordo
- Banco de baterias
Com gerador a bordo a coisa fica bem tranquila, já que o gerador fará a função do shorepower, gerando tensão AC 110 ou 220V.
Sem gerador entra em campo o banco de baterias, ai o cuidado deve ser redobrado.
Primeira regra para quem vai utilizar AC ancorado é selecionar o banco de baterias de serviço, preservando a bateria do motor, para que não exista problemas na hora de dar a partida.
É necessário um inversor de tensão DC-AC, já que a energia que será utilizada é a das baterias, DC. O inversor “transforma” a tensão 12V DC em AC 110 ou 220V.Um cuidado que devemos ter é com a potência do inversor, na foto ao lado o inversor possui 2000 W de potência, suficiente para ligar simultâneamente a TV (plasma) e o micro ondas.A TV que temos instalada têm potência de 100W e o micro ondas 800W.O tempo de utilização dos aparelhos: inversor (ele tb consome energia), tv, micro ondas, note, etc vai depender da capacidade do banco de baterias instalado.Para repor a energia consumida das baterias pode-se optar pelo motor do barco, via alternador, painel solar, gerador eólico, ou simplesmente voltar para a marina, conectar o shorepower e deixar o carregador de baterias fazer seu trabalho.

Quem é dono de barco sabe o quanto é dificil e complicado fazer qualquer reforma ou melhoria. Tenho visto muitas ofertas de “Assessoria Náutica”, onde o suposto “profissional” oferece serviços dos mais variados tipos, desde a pintura do casco, passando por uma modificação estrutural, compra e venda, etc.
Para quem já encarou reformas pela proa sabe que na prática a teoria é muito diferente, não basta ter boa vontade e “achar” que sabe, que conhece, têm que estar no meio há anos para contornar os inúmeros percalços e situações desagradaveis.
Acredito ser muito importante ter um Assessor Técnico, que tenha experiência e saiba o que fazer, quando fazer, com quem resolver e, o mais importante, que coloque a “mão na massa” quando as coisas emperrarem e emperram.
O Assessor deve ser um generalista, conhecer de pintura, laminação, mastro, elétrica, mecânica, velas, ferragens, hidráulica, etc. não precisa ser especialista em nada, mas deve conhecer os especialistas, saber quem indicar e se responsabilizar pelas indicações.
O mais tranquilo e caro seria entregar seu barco aos cuidados de um estaleiro e só cobrar o resultado.
O que 95% dos velejadores fazem, eu fui um deles, é meter a cara e fazer, fica mais caro que contratar um bom e experiente assessor, fazer um contrato básico e pagar pela consultoria e administração da reforma.
No ponto do contrato vale uma observação, o pintor, o ajudante, o laminador, etc podem até ter empresa aberta, mas vivem do seu trabalho, uma demanda jurídica de nada vai adiantar, alem de tomar tempo, $ e acabar com seu humor, é preferível fazer um contrato com o assessor, que terá a responsabilidade de administrar sua obra.
Dicas para contratar um assessor náutico:
- Informações de outros clientes: como em qualquer ramo vale a máxima: “Teu passado te condena, ou indica”.
- Tempo na profissão: como na medicina a experiência conta, e muito. Lembre-se, na hora de resolver o problema se o assessor não colocar a mão na massa não vai andar, e para fazer têm que conhecer e saber fazer.
- Estrutura: ter certeza que a estrutura disponível é adequada para a sua necessidade, este ponto é importantíssimo, não adianta querer, têm que ter estrutura para fazer.
Para quem gosta do mar, velejador expriente ou não, a busca por estar mais tempo no mar e menos tempo no trabalho é constante.
Costumo chamar de vida embarcado e vida normal, sendo que o normal deveria ser viver embarcado!
Alguns mais decididos e com maior perseverança conseguem ajeitar as coisas e sair para uma volta ao mundo, confesso que sou um aprendiz pouco esforçado neste sentido.
Assistir o sol nascer velejando é melhor que olhar a proteção de tela no seu computador, pode acreditar!
No ultimo dia 10 as 13:00hs (hora local) foi dada a largada para a Vendée Globe 2012, uma regata em solitário ao redor do mundo.
Este humilde blogueiro contou com um enviado mais que especial ao evento, Paul de Cara, amigo querido que mora na França e fez as fotos que estão neste post.A Vendée Globe é uma regata de gente grande, conta com 20 participantes, este ano são:
12 franceses, 3 ingleses, entre eles a unica mulher na regata, 2 suiços, 1 espanhol, 1 polones e 1 franco-italiano.
Para ter idéia do tamanho do evento (vide o público nas fotos) são 17 empresas envolvidas, entre patrocinadores, fornecedores e apoiadores. A regata virtual conta com mais de 150.000 inscritos!
Fico aqui pensando com meus botões e comparando com a maior e mais badalada regata brasileira, Refeno, não chegamos nem perto.
Se você quer saber mais sobre esta regata maravilhosa o link para o site oficial é:http://www.vendeeglobe.org/fr
Se deseja conhecer a posição de cada competidor o link é: http://tracking2012.vendeeglobe.org/fr/
Sobre barcos a vela e outras curiosidades náuticas
Gotas d'água salgada quase diárias